Bom, para os que ainda não sabem, cuidei da edição e projeto gráfico do livro de Diedra Roiz, O Livro Secreto das Mentiras & Medos.
O livro é um lançamento do selo abcLES Editorial, e está com pré-venda até o dia 23/11 na Livraria abcLES.
* Compra na pré-venda tem desconto e direito a autógrafo.
É, propagada nunca é demais
Por falar em propaganda, pois então, depois de semanas sem atualizar minhas histórias, voltei sexta passada a postar. Podem conferir as novidades no meu perfil no abcLES:
http://www.abcles.com.br/historias/viewuser.php?uid=2
A vida anda alucinadamente corrida, como devem ter notado. Mas sabe, é tão bom ver seu esforço convertido em uma conquista, neste caso, várias. Nunca trabalhei tanto, e apesar de meus acessos Mirândicos, cansaço zumbiótico e torturantes dores na coluna, ainda assim, estou muitíssimo feliz =)
Pode ser meio piegas postar coisas de faculdade em blog. Mas gostei tanto do textinho. Além do mais, por ser dissertativo, fala um pouco da história de minha pessoa.
BJS!
Objetivo: Refletir sobre nossa trajetória acadêmica enquanto alunos visando identificar aspectos relevantes na prática docente de nossos professores.
Elabore um texto dissertativo fazendo uma retrospectiva de sua vida acadêmica enquanto aluno. Você teve professores inesquecíveis? Quais características eles possuíam que os fizeram permanecer em suas lembranças?
Meu primeiro contato com a “ser” professor foi dentro de casa, através de minha mãe. Lecionava de 1ª a 4ª séries em duas escolas, numa, onde eu estudava, pelas manhãs.
Confesso que era um tanto quanto vergonhoso ter as bochechas apertadas na frente de meus coleguinhas por professoras nos corredores da escola. Mas tinham a desculpa de terem acompanhado meu crescimento ainda no ventre, aguardarem junto de minha mãe o meu nascimento, enfim, toda aquela coisa melosa esperada entre amigas.
Ainda novinha, tinha duas certezas: detestava Matemática, Português era tão legal!
No entanto, daquela época, é da Matemática que me lembro mais, graças à minha professora Elzeny. Mesmo sabendo de minha repulsa declarada pela matéria, instigava, tentava de todas as formas que a bendita entrasse em minha cabecinha reticente. Meu problema não era questão de entendimento, mas realmente não querer ver a tal Matemática. Elzeny, com seu carinho e paciência extremos, conseguiu que pelo menos percebesse: não precisava amar, mas saber que era necessário. Deu certo.
Só permaneci naquela escola até a 3ª série, quando fui para um colégio “mais conceituado”. Lá, na 4ª série, foi quando encontrei uma de minhas mais amadas e lembradas professoras: Eldivany. Lecionava Português e História. Era doce quando convinha e firme quando necessário. Mas em todos os momentos, uma professora exemplar.
Não ficava presa ao ensino tradicional, inventava jogos, trabalhos criativos. Seu ensino era puxado, mas todos se esforçavam. Como era gostoso receber seus elogios, ou até mesmo os puxões de orelhas carinhosos, estes, sempre com o intuito de incentivo, não reprimenda. Ficava ansiosa por suas aulas. Com Eldivany, aprendi quase toda a minha a base em Gramática e a adorar História. Foi quando, também, descobri meu amor pela escrita.
Permaneci naquele colégio até finalizar a 5ª série, época em que meus pais se mudaram do Rio de Janeiro para o Espírito Santo. Pela primeira vez fui estudar em uma escolha pública, ainda por cima, do interior. Foi chocante. Tive péssimos professores, é triste recordar. Mas também, três maravilhosos: José Roberto, Português/Inglês, Lúcia, Matemática, e Vera, Geografia.
“Zé Roberto” percebeu e incentivou meu gosto por escrever. Tanto, que com sua orientação, ganhei um concurso estadual de redação entre as instituições públicas e particulares. Lúcia entendeu meu “pequeno problema” com sua matéria, e assim como Elzeny, com um “jeitinho” todo especial, guiou e até mesmo me fez tomar gosto por um ou outro tópico. Já Vera tinha uma fala mansa e um jeito calmo, mas divertido, de lecionar. Literalmente viajava com suas explicações!
Então, mais uma vez mudei de colégio. Ganhei uma bolsa e fui estudar o Ensino Médio em uma cidade vizinha e maior. Novamente o choque. Tirando as matérias dos professores de 6ª a 8ª séries citados com carinho, nas demais, minha base era bastante fraca. Foi quando descobri que existia algo que abominava mais do que a Matemática: Química.
Desta vez, não era por pirraça ideológica. Realmente não entendia lufas daquilo. Para complicar, nosso “amado” professor sabia demais. Para ele. Seu grande problema era não saber passar todo aquele seu grande conhecimento para a turma. Resultado, horas e horas de grupos de estudo. Por um lado foi bom, pelo menos ajudou a turma a se unir. Mas confesso que suas provas eram tensas, pois ele adorava “brincar” conosco. Parecia que lhe dava prazer nenhum aluno conseguir ficar com média boa, por mais que se esforçasse. Sinceramente, Toninho é o exemplo do que um professor não deve ser: despreparado para lidar com alunos, arrogante e vingativo.
Que bom que minha passagem por lá não foi feita apenas de traumas. Tive o prazer de conhecer Valnei, um exigente e maravilhoso professor de História. Suas aulas eram didaticamente divertidas. Alguém por quem guardo admiração e um carinho imenso.
Antes de minha terceira e atual investida em um curso superior, tentei Jornalismo e Letras em faculdades presenciais. Infelizmente devido a vários contratempos, precisei me afastar de ambos. Mas não antes de conhecer Edna Freire, minha professora de Produção de Textos na faculdade de Letras. Posso resumir Edna em três palavras: entendimento, competência e amor.
Apesar de todos os professores maravilhosos que conheci, Edna se destaca. Ainda desconheço alguém com tanta paixão, tanto amor por dar aulas, com tanto respeito pela profissão e orgulho em ser professora, quanto ela.
Edna conseguia captar o que moldar em cada um de nós. Prestava, realmente prestava atenção em seus alunos, como estudantes e seres humanos. Como era competente. Nunca escrevi tanto, fui exigida e aprendi em uma sala de aula. As dicas que dava em meus textos, a sinceridade e carinho com que fazia um elogio, com certeza, ficarão em meu coração para sempre.
Justamente em Edna Freire que me espelho para dizer: não desejo ser professora. Simplesmente não tenho o dom, a paixão. Poderia até a vir adquirir competência técnica, mas me sentiria uma farsante.
Estudar Letras, no meu caso, é um caminho para entender mais as palavras em suas formas e empregos. Aprender mais a fundo a língua para empregar isto na literatura. O ensino, deixo em boas mãos, professores “de verdade”, amantes do conhecimento técnico e humano, apaixonados por lecionar e transmitir. Para aqueles que, se já não o são, um dia, como todos os amados que citei, farão diferença na vida de alguém.
Ei Dani, tu é parente do taz, né! Mesmo num gira gira sufocante, ainda consegue respirar e produzir preciosidades.
Gosto muito das suas memórias. Você viveu tudo com este seu jeitinho de águia japonesa, sempre vivendo com intensidade até as pequenas coisas, aprendendo, transformando… Legal vislumbrar um cadim dos mestres que participaram da sua formação.
Bjussss
Danieli,
Texto maravilhoso.
Com uma sensibilidade, que envolve o leitor com as diferentes emoções, até chegar no universo da imaginação, do tempo, das pessoas e do espaço.
Grande abraço,
Julia Figueiredo.
[DH - Resposta]
Brigada, Julinha!
Bjs!
Sempre nutri uma admiração mais do que especial a quem leciona por vocação, por amor. Para mim, é uma das profissões mais importantes que existe… que exige grande responsabilidade.
Confesso que dos professores que guardo comigo estão um de Matemática e uma de Química. Não é à toa que sou engenheira química.
Adorei o texto.
O doce sabor das lembranças da companhia daqueles q nos moldaram…
Texto lindo carregado de emoções.
Rê