• 19nov

    Às vezes nos vemos em um momento estranho, mas cheios de sutilezas:

    É possível se estar feliz e triste ao mesmo tempo? É possível se estar bem e péssima?

    Este ano de 2008 mancou minha vida por ser este grande paradoxo. Sei que o ano ainda não terminou, mas, até aqui, nossa, quanto já se passou…

    Sei que muitos que acompanham meus trabalhos, paralelamente, acabam, também, acompanhando um pouco da minha vida pessoal.

    No início do ano, o “conto de fadas” que foi meu casamento, virou um pesadelo. Os que acompanharam toda sua trajetória por relatos, fotos e mídia, destes, muitos até hoje estão sem entender. Não vou entrar em detalhes, estou comentando isso aqui agora, porque na época eu não tinha forças de fazê-lo. Só digo que foi um momento dificílimo, aconteceu de TUDO do mais louco e inimaginável, sofri demais, me acabei emocionalmente e fisicamente, eu inchei, a retenção de líquido devido ao estresse me engordou quase vinte quilos, desmaiei, tive acessos, uma total bagunça.

    Ou seja, tudo estava ruim, por dentro e por fora.

    Só que, enquanto meu coração se despedaçava junto de meus sonhos e meu corpo ruía, minha mente não parava. Criar, trabalhar, eram as ÚNICAS coisas que me davam alento, que não me deixavam perecer de vez. Foi quando coloquei em prática o Portal abcLES. Era uma idéia e sonho antigos. Graças a Deus, desde sua criação, tem sido um sucesso.

    E lá estava eu, feliz e triste, arrasada e realizada, ótima e péssima.

    Por vezes, achava que ia ficar louca ao sentir tantas coisas contraditórias. Foi uma barra para mim e minha família, sempre tão presente em minha vida. Eles choravam, sofriam comigo. E eu me sentia ainda pior por saber que a dor deles era a minha.

    Porém, nesse meio-tempo, também, foi quando Deus me reaproximou de amigas e me deu o presente de conhecer outras almas maravilhosas que vou guardar, sempre, em meu coração. Devo muito a vocês: Lívia, Soninha, Socorro, Carla, Rapha, Di, Ruiva, Ise, Bru e mais adiante, quando novamente estava em paz comigo e meu coração, conheci a Laine, minha namorada. Foi naqueles momentos que você está na sua, nem pensando em encontrar alguém e bah, vocês se topam, dali se gostam, se entendem, se encantam. Não vou enaltecer todas as suas qualidades, basta dizer que nos adoramos e que Laine tem o dom de me fazer sorrir…

    Mas, como nem tudo são flores, neste percurso também me decepcionei muito com gente que nem vale mais citar o nome. Pessoas que usaram de minha confiança e, literalmente, me apunhalaram pelas costas. Não tenho raiva, apenas tristeza e certa mágoa. Dei algo tão valioso (que DINHEIRO nenhum pode comprar), que é uma amizade verdadeira, e recebi em troca traição e mentiras. Porém, aprendi e cresci mais um pouquinho com essas decepções.

    Os que me conhecem um pouco sabem que, apesar da vida pública, sou uma pessoa reservada.

    Então, por que estou me expondo?

    É para dizer que, apesar dos pesares, dos desamores, das decepções, eu ainda acredito. Ainda acredito na amizade e amor verdadeiros. Acredito que duas mulheres que se amam podem, sim, ter um relacionamento saudável, feliz. Acredito que Deus sempre nos dá uma saída, mesmo quando tudo parece tão sombrio; basta acreditar nele, mas também, em si mesmo.

    Posso dizer que hoje sou uma pessoa melhor, feliz, mais forte.

    Então, TUDO, valeu à pena.

    Porque foi esse tudo que ajudou a moldar quem sou hoje, esse prospecto do que serei amanhã e da pessoa que ficará na memória daqueles que me amam.

  • 10set

    “As palavras são como os patifes desde o momento em que as promessas os desonraram. Elas tornaram-se de tal maneira impostoras que me repugna servir-me delas para provar que tenho razão”.

    (William Shakespeare)

  • 21ago

    “Senhorita, esse mês estaremos tendo o McDia Feliz!”, atendente sorridente, enquanto registrava meu pagamento. “Será no dia trinta de agosto (por coincidência, dia da Visibilidade Lésbica \o/), toda a renda obtida com a venda de sanduíches Big Mac (exceto alguns impostos) - isoladamente ou na McOferta número 1 - será revertida para projetos que atendem crianças e adolescentes em tratamento de câncer!”

    Fiquei balançando a cabeça embasbacada, em total atenção. A menina disse tudo num só fôlego. Realmente fiquei impressionada!

    “Por favor, venha e nos ajude… bla, bla, bla…”

    Ainda acenando positivamente. Sempre que podia ajudava, todos os anos.

    Então me ocorreu algo.

    “Er… vai ter palhaço?”

    “MAS É CLARO!!!”, afirmou a menina com um sorriso ainda maior, crente que estava arrasando. “Se não for o Ronald Mcdonald, teremos outro fazendo balões e brincando com os participantes…”

    “Er… não gosto de palhaços…”

    A moça engoliu o sorriso e me olhou sem graça. “Acha bobo demais? Tem gente que acha, e-”

    “Não, demoníacos. Bichinhos do capeta, essas coisas… tenho pavor de palhaços…”

    A mocinha arregalou os olhos, provavelmente achando que eu era louca. “Er… bom… ele não vai estar o dia todo… fora que a senhorita pode comprar pra viagem…”, deu a dica com um sorriso amarelo, doida que eu desse o fora dali, e, não me surpreenderia, rezando para que eu me engasgasse a morte com meu Cheddar McMelt. Na cabecinha dela deveria estar pensando: “cada uma que me aparece…”

    Sorri lindamente.

    “Ótima idéia! Pedirei para viagem e comerei no cinema. Obrigada!”

    Saí.

    Juro que ouvi um suspiro de alívio da menina, antes que ela atendesse sua próxima vit… próxima cliente.


    Palhaço… credo! Eu, hein!